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O Fator "Uau" em Hotéis e Equipamentos de Turismo: Por que a sua régua de atendimento pode estar obsoleta?


Por Rogério Oliveira

Foco: Hospitalidade sensorial, encantamento, fidelização.

Se você for agora ao Google e digitar "Uau", possivelmente vai aparecer em sua tela a definição: surpresa boa! Significa transformar um momento para que ele seja ainda mais incrível.


O mercado de hospedagem e turismo, principalmente os segmentos considerados de luxo, segue em alta. Mas se isso é um fato, por que tantos hoteleiros e gestores reclamam da ocupação ou da concorrência cada vez mais agressiva?


Até alguns anos atrás, a concorrência era "visível": a comparação era feita com aquele hotel ou equipamento próximo que oferecia o tal do "algo a mais". Hoje, com a riqueza de informações e opções, a concorrência está em qualquer lugar.


Diante disso, vale refletir: sobre que "régua" estamos avaliando nossos serviços e com que "régua" estamos pensando em situações ou novidades para nossos futuros hóspedes?


O Cenário de Junho e Julho: Processo ou Improviso?


Os meses de junho e julho, especialmente agora em 2026, trarão inúmeras oportunidades de negócios. A Copa do Mundo, as Festas Juninas e Julinas e toda uma alta temporada estão praticamente batendo às portas.


Imagino que você, gestor, já deva ter uma programação ou pelo menos um rascunho de "atrações" para este período: o telão para os jogos da Copa, o arraial, a música ao vivo, o cardápio diferenciado.

Mas será que o hóspede ou usuário quer, mais uma vez, só isso?


Não que seja necessário fazer mais, mas sim fazer melhor. A hospitalidade sensorial, por exemplo, é uma estratégia que vai além do acolhimento tradicional. Seu objetivo básico é estimular os cinco sentidos para criar conexões profundas com a marca.


Agora, faça uma rápida ponte para o futuro e imagine-se em um dia de jogo do Brasil na tão esperada Copa do Mundo:

  • Onde ficará a projeção da tela?

  • Como funcionará o serviço de bar?

  • Onde estarão as crianças?

  • Como foi desenhado o cardápio temático?

  • E quem não gosta de futebol, o que vai fazer nesse momento?


Não é de hoje que, em eventos de grande porte, vemos hóspedes perguntando para a equipe de recreação, garçons e recepção: "E aí, o que vai ter para quem não gosta do jogo?" Ou ainda ouvimos cobranças como: "Aonde estão os recreadores para manter estas crianças em silêncio?" ou "Não tem ninguém do bar aqui para atender?"


A Desmistificação da "Experiência"


O Fator Uau não está em contratar mais uma atração caríssima que vai "torrar" o seu lucro operacional. O simples fato de alinhar a equipe para pensar em todos os pormenores e deixar tudo preparado — incluindo a gestão dos imprevistos — vai entregar ao seu hóspede o que o concorrente comum não pode: experiência real.


A palavra "experiência" muitas vezes é mal interpretada no mercado. Ela é percebida como algo mágico, criado por um ser místico e que só aquele local geográfico pode entregar. Mentira!


A experiência deve estar estritamente alinhada com o que você pretende vender e para quem. Isso é um processo extremamente dinâmico.


Voltando ao exemplo da Copa do Mundo:

  • Para os fanáticos por futebol, a experiência perfeita pode ser apenas silêncio, atendimento premium do bar, uma tela de alta qualidade e um som limpo, sem intromissões.

  • Para aqueles que buscam paz, talvez seja o momento exato de aproveitar para relaxar no SPA ou nas áreas comuns, enquanto as atenções gerais estão voltadas para a TV.

  • E para as crianças, o lúdico impera: que adulto já não flagrou uma criança com uma bola falando sozinha, se imaginando aquele jogador importante da seleção?


A Copa do Mundo, as Festas Juninas e as férias de inverno são situações estratégicas. Elas devem ser usadas para que você e seu pessoal entreguem experiências de valor, e não apenas uma lista fria de estruturas como piscina, quadra, campo de futebol, cardápio e música ao vivo.


O Risco do "Mais do Mesmo"


Eu proponho um desafio: vá agora ao seu site ou observe o material promocional físico e digital que o seu empreendimento está enviando para o mercado. Qual é a mensagem principal?


Sem precisar de bola de cristal, eu arrisco dizer que será algo como: diárias a partir de R$...; monitores de lazer para as crianças; show com artista X; cardápio exclusivo; piscina e quadra.


Isso é um prato cheio para a concorrência amadora. Você está oferecendo nada mais, nada menos do que o mesmo que todos os outros oferecem.


Faço mais um desafio de liderança: se você chegar agora para qualquer funcionário da sua linha de frente e perguntar o porquê do nome do seu hotel ou condomínio, eles saberão responder? Eles sabem contar a história do local?


Se a sua equipe nem sequer conhece a história do próprio ambiente onde trabalha, suas intenções ou suas metas estratégicas, como é que a experiência do cliente vai ser entregue?


Já respondo diretamente: não vai. O máximo que a sua gestão vai conseguir será ficar refém de alguns poucos funcionários centralizadores. E esses serviços, mais cedo ou mais tarde, valerão muito pouco para o cliente que paga a conta.


A Recreação como Ativo Estratégico


A equipe de lazer, apesar de ser considerada importante nos discursos institucionais, raramente recebe esse peso na execução do dia a dia. Imagine o desafio técnico de colocar um colaborador em contato direto com o seu cliente por aproximadamente 6 a 10 horas diárias.

A gestão espera que ele entregue alegria constante, defenda a reputação da marca, forme grupos e faça o público participar ativamente.

O simples fato de agir como um recreador profissional, e não como um monitor comum, já é um desafio complexo. Imagine gerenciar tudo isso com a casa cheia, sob pressão operacional extrema, tendo a obrigação de entregar experiências e não apenas brincadeiras soltas.


É um hábito comum entre os gestores perguntar para as equipes de lazer: "O que vocês vão fazer de diferente neste feriado ou nesta temporada de férias?" Com boa intenção, eles tentam pensar em respostas e aplicar atividades. No entanto, na maioria esmagadora das vezes, a resposta é dada puramente com o coração — ou seja, com a emoção do momento.


O resultado final de uma entrega baseada no improviso emocional é um só: nada de mais.


O verdadeiro Fator Uau é aquilo que ninguém esperava e que realmente faz o usuário se surpreender e fixar a marca na mente.


O grande gargalo não está na intenção da equipe; está na falta de preparação técnica dos recreadores. Isso vale para equipes próprias, agências terceirizadas ou profissionais independentes que operam no modelo de mera "locação de mão de obra".


O que faria o seu hóspede ou condômino afirmar, com convicção: "Isso foi a melhor coisa que eu senti na vida!"?


Parece uma meta impossível, mas não é. A nossa vida é formada por ciclos técnicos. Talvez o próximo ciclo importante do seu cliente seja apenas aquele momento em que ele está dentro do seu estabelecimento.


Portanto, avalie com rigor: o que a sua equipe — e principalmente a sua recreação — vai fazer para entregar o Fator Uau na hora em que a sua operação mais precisar? Piscina, quadra e quartos premium muitos concorrentes têm. Mas o Fator Uau é exclusividade de quem tem processo.


Diagnóstico Operacional de Lazer


Se o seu objetivo é diferenciar o seu patrimônio através de experiências de lazer chanceladas pelo Fator Uau, o planejamento precisa começar agora. Na MegaPlay Recreação, nós ajudamos hotéis, resorts e condomínios clube de alto padrão por meio de programas estruturados de treinamento, mentoria e ressignificação técnica da equipe de lazer.


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